Assistimos em sala de aula um documentário instigante sobre as origens do universo. Vimos o Bing bang, a teoria de uma explosão sobre o momento onde tudo começou, a formação das galáxias, do nosso sistema solar,da Terra e a imensidão de tudo que nos rodeia. Somos frutos do acaso. Incontáveis fatores de improbabilidade matemática se somaram, deram origem à vida primitiva, que evoluiu durante bilhões de anos, numa série de eras de nome esquisito, atingindo seu produto mais evoluído: o Ser Humano.
Fico a pensar na magnitude do universo em expansão, os planetas girando, as estrelas que brilham, tudo em harmonia, funcionando com perfeição. Mas afinal de contas o que é o Ser Humano? É o ponto focal a discutir. Se somos frutos da evolução do universo, seriamos nós também perfeitos? A resposta poderia ser sim, mas no meu entender é um justificado não.
É nítida a capacidade que nós alcançamos de nos destruir pela guerra, pela ambição, pela palavra, ou pela nossa capacidade de não aceitação das diferenças de nossos semelhantes. Por outro lado, se o universo levou bilhões de anos para se aperfeiçoar é possível que nós humanos também estejamos nesse processo evolutivo e que em dado momento, se não nos destruirmos durante o caminho, atingiremos um grau de harmonia e haverá em dado momento a paz.
A espécie humana é açoitada por todo tipo de questionamentos desde o surgimento do homem, quando ele começou a se perceber e se distinguir como ser racional. Fazendo perguntas e procurando as respostas certas, o homem desenvolveu-se ao logo da História, descobrindo a cada dia, um pouco mais sobre os mistérios do universo. Todavia, uma terrível certeza está diante de nós. A vida é finita. A morte é uma experiência pessoal de cada indivíduo sem data marcada.
Quando tomamos consciência da brevidade da vida, diante de um acidente, de uma doença trágica na família é que nos deparamos a questionar o sentido mais profundo de nossa própria existência, o tal “quem somos nós?”, enfim, qual a razão de tudo que sofremos. Não raras vezes, nessas oportunidades de dor redefinimos o rumo de nossas vidas. Alguns fazem isso, nem todos.
Não sei se é possível definir resumidamente o Ser Humano, afinal as pessoas passam a vida toda se perguntando o que são, qual seu destino, sua missão. Numa rápida pesquisa encontrei definições interessantes que me ajudam a refletir:
· o homem é um animal bípede da ordem dos primatas pertencente à subespécie Homo sapiens sapiens, diz a ciência;
· é um ser composto por 1 corpo (matéria, invólucro) e um espírito (não matéria, essência), segundo uma visão filosófica;e
· é um Projeto falido; uma piada de mau-gosto; criatura criada durante uma ocasião de muito tédio numa clara reclamação aos deuses do destino humano de ser jogado sobre a terra sem ter pedido para nascer e ter de enfrentar as vicissitudes da luta pela sobrevivência, como a gripe aviária, suína e espanhola.
A Ciência , a Religião e a Filosofia parecem destinadas a se digladiar em buscas de respostas e de adeptos a suas teorias. É importante que seja assim. A partir do pensamento, talvez uma das características mais marcantes do Ser Humano é que ele é livre! E que pode definir seu destino. Os animais ainda estão presos aos instintos. Nós, ao contrário, adquirimos tal complexidade que vamos além do sentir, além dos hormônios, criamos a fala, a escrita, padrões culturais, rígidas estruturas sociais, para os quebrar mais tarde; nos adaptamos para sermos aceitos no nosso grupo de convivência, fazemos amor, fazemos a guerra. Sim, o Homem é um ser livre.
Não é possível afirmar se algum dia teremos todas as respostas às perguntas do homem. Se acaso alguém chegar lá vai se deparar com o próprio Deus, ou com o nada. De qualquer maneira quanto mais formos questionando, pesquisando, mais saberemos sobre nós mesmos. Assim, refletir sobre o que é o Ser Humano deveria ser encarado a partir de uma visão pessoal para depois compreendermos o todo. Depende do modo como enfrentamos a vida. Uma vida fugaz e passageira onde a maioria das pessoas prefere não gastar tempo refletindo nessa profundidade freudiana.
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.Desta forma, eu digo:
Não deixe de fazer algo que deve devido à falta de tempo; a única falta que terá, será desse mesmo tempo que infelizmente não voltará jamais. Mário Quintana

