quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O QUE É O SER HUMANO?

Assistimos em sala de aula um documentário instigante sobre as origens do universo. Vimos o Bing bang, a teoria de uma explosão sobre o momento onde tudo começou, a formação das galáxias, do nosso sistema solar,da Terra e a imensidão de tudo que nos rodeia. Somos frutos do acaso. Incontáveis fatores de improbabilidade matemática se somaram, deram origem à vida primitiva, que evoluiu durante bilhões de anos, numa série de eras de nome esquisito, atingindo seu produto mais evoluído: o Ser Humano. Fico a pensar na magnitude do universo em expansão, os planetas girando, as estrelas que brilham, tudo em harmonia, funcionando com perfeição. Mas afinal de contas o que é o Ser Humano? É o ponto focal a discutir. Se somos frutos da evolução do universo, seriamos nós também perfeitos? A resposta poderia ser sim, mas no meu entender é um justificado não. É nítida a capacidade que nós alcançamos de nos destruir pela guerra, pela ambição, pela palavra, ou pela nossa capacidade de não aceitação das diferenças de nossos semelhantes. Por outro lado, se o universo levou bilhões de anos para se aperfeiçoar é possível que nós humanos também estejamos nesse processo evolutivo e que em dado momento, se não nos destruirmos durante o caminho, atingiremos um grau de harmonia e haverá em dado momento a paz. A espécie humana é açoitada por todo tipo de questionamentos desde o surgimento do homem, quando ele começou a se perceber e se distinguir como ser racional. Fazendo perguntas e procurando as respostas certas, o homem desenvolveu-se ao logo da História, descobrindo a cada dia, um pouco mais sobre os mistérios do universo. Todavia, uma terrível certeza está diante de nós. A vida é finita. A morte é uma experiência pessoal de cada indivíduo sem data marcada. Quando tomamos consciência da brevidade da vida, diante de um acidente, de uma doença trágica na família é que nos deparamos a questionar o sentido mais profundo de nossa própria existência, o tal “quem somos nós?”, enfim, qual a razão de tudo que sofremos. Não raras vezes, nessas oportunidades de dor redefinimos o rumo de nossas vidas. Alguns fazem isso, nem todos. Não sei se é possível definir resumidamente o Ser Humano, afinal as pessoas passam a vida toda se perguntando o que são, qual seu destino, sua missão. Numa rápida pesquisa encontrei definições interessantes que me ajudam a refletir: · o homem é um animal bípede da ordem dos primatas pertencente à subespécie Homo sapiens sapiens, diz a ciência; · é um ser composto por 1 corpo (matéria, invólucro) e um espírito (não matéria, essência), segundo uma visão filosófica;e · é um Projeto falido; uma piada de mau-gosto; criatura criada durante uma ocasião de muito tédio numa clara reclamação aos deuses do destino humano de ser jogado sobre a terra sem ter pedido para nascer e ter de enfrentar as vicissitudes da luta pela sobrevivência, como a gripe aviária, suína e espanhola. A Ciência , a Religião e a Filosofia parecem destinadas a se digladiar em buscas de respostas e de adeptos a suas teorias. É importante que seja assim. A partir do pensamento, talvez uma das características mais marcantes do Ser Humano é que ele é livre! E que pode definir seu destino. Os animais ainda estão presos aos instintos. Nós, ao contrário, adquirimos tal complexidade que vamos além do sentir, além dos hormônios, criamos a fala, a escrita, padrões culturais, rígidas estruturas sociais, para os quebrar mais tarde; nos adaptamos para sermos aceitos no nosso grupo de convivência, fazemos amor, fazemos a guerra. Sim, o Homem é um ser livre. Não é possível afirmar se algum dia teremos todas as respostas às perguntas do homem. Se acaso alguém chegar lá vai se deparar com o próprio Deus, ou com o nada. De qualquer maneira quanto mais formos questionando, pesquisando, mais saberemos sobre nós mesmos. Assim, refletir sobre o que é o Ser Humano deveria ser encarado a partir de uma visão pessoal para depois compreendermos o todo. Depende do modo como enfrentamos a vida. Uma vida fugaz e passageira onde a maioria das pessoas prefere não gastar tempo refletindo nessa profundidade freudiana. A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.Desta forma, eu digo: Não deixe de fazer algo que deve devido à falta de tempo; a única falta que terá, será desse mesmo tempo que infelizmente não voltará jamais. Mário Quintana

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Elogio da Loucura: o Rio de Janeiro

Depois do turbilhão de idéias de Erasmo de Rotterdam descritas no livro o Elogio da Loucura estava eu a pensar sobre o que escrever. Sem grandes pretensões filosóficas, decidi não usar método nem coerência. Pensei em algum assunto que me despertasse algum tipo de reflexão, fruto de minhas observações pessoais, para ser bem empirista mesmo. Logo me veio à tona a Cidade Maravilhosa local , onde vivi, em diferentes fases de minha vida uns oito anos. Tempos atrás, logo ao chegar na cidade, uma frase numa placa de rua me chamou atenção na famosa Avenida Brasil: “se você ama o Rio você também é carioca. Seja Bem-Vindo!” Achei uma assertiva muito simpática, considerando que todo brasileiro é um pouco carioca. Sim, isso eu descobri no exterior numa visita à Bósnia, pois quando conversava com as pessoas ao me referir ao Brasil me apropriava do Corcovado e de Copacabana,como se fossemos vizinhos. Na verdade, naquela época eu morava no extremo sul do país, mas alguém na Bósnia vai lá saber onde fica o Alegrete? Lá fora o Brasil é o Rio e nem adianta paulista chiar, ô meu! Por outro lado, na prática, quando se vai habitar no subúrbio carioca, quase tão longe do mar quanto Porto Alegre de Tramandaí em dia de Free-way congestionada, a tal frase simpática perde muito do efeito. De fato, a região conhecida por Zona Oeste é tão carente de assistência e de infraestrutura urbana que pensa-se estar no fim do mundo! Ao contemplar aquela paisagem suburbana desordenada e pobre, com pessoas com as vidas marcadas por essa realidade, fica claro o que deve ter influenciado a Fernanda Abreu a cantar “Rio 40º graus , cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos”. Fala sério, diria um carioca da gema, alertando logo que a descolada Barra da Tijuca, o bairro dos emergentes, também fica na Zona Oeste! Ora, a isso eu respondo que a Barra não é Rio mas é Miami! Loucura, não? Sim, mas não para os aclamados projetistas do bairro que copiaram o modelo urbano daquela cidade norte americana. Sendo uma das cidades do mundo mais cantadas em verso e prosa por poetas e seres dautônicos afins, o Rio exerce uma influência e fascínio indescritíveis. Seja pela sua formosa e exuberante natureza ( ou o que resta dela) ou pelas chagas sociais estampadas nas páginas policiais ou nos telejornais. Mas o Rio continua lindo, diz o baiano. Cidade que nos anos dourados, se é que realmente existiram, era uma espécie de riviera francesa deslocada aos trópicos, local preferido de refúgio de dez entre dez bandidos vips do cinema internacional, hoje é um resumo representativo de um país dividido entre os que tem e os que não tem e acrescento também, pra não ser parcial, os que não opinam ou não sabem ler pra saber a diferença. O Rio é assim. A loucura da convivência do luxo com o lixo. Assim como o mar faz par com as montanhas da Guanabara, o apartamento de luxo da Avenida Atlântica é vizinho dos morros e da bala perdida. Só no ano passado mais de 300 pessoas foram premiadas com um disparo. Mais de uma dezena perderam sua vida por isso. Numa cidade sabidamente internacional, espelho do país, isso é muito significativo. A Zona Sul...sim é linda. Eu morei na Urca, ali perto do bondinho do pão de açúcar, na Praia Vermelha. Morava, na realidade na frente da estação. Bem, eu nunca andei de bondinho, pois os preços proibitivos são pra inglês ver e diga-se pagar. E a visão do mar? O barquinho a deslizar ...sim... maravilhoso. Isso me lembra outra frase insana que ouvi por lá, percebam , alguns anos atrás, que se referia ao Rio de Janeiro como um arco-íris: “o mar é verde. O céu é azul. A governadora é Rosinha, mas o Comando é vermelho e a coisa tá preta!” Aliás, quem fala Rio de Janeiro é paulista. Pros nativos é apenas Rio. Bem, mas se existem sérios problemas na segurança pública o certo seria a população se esforçar para eleger bons mandatários que solucionassem a questão, certo? Se houvesse uma resposta certa esse texto nada teria a ver com elogio da loucura. Pois bem, explico: no Rio um candidato ao governo da cidade mesmo estando bem nas pesquisas eleitorais perdeu o pleito porque a eleição caiu no meio de um feriado. Pois, seus eleitores conscientes foram pra região dos lagos, curtir o fim de semana prolongado em Búzios e Cabo Frio. A propósito, na época eu também fui, mas eu votava em Brasília. Mas continuando, como exemplo de metrópole dos trópicos, no Rio o trânsito não funciona, afinal cariocas não gostam de sinal fechado.O transporte público é caótico, a segurança pública só existe em condomínios fechados, o mar está poluído, pela falta de saneamento público, o estado é ineficiente e inexistente nas comunidades da cidade que estão dominadas pelo tráfico, pelas milícias. Até a garota de Ipanema está gorda, segundo o New York Times. Mas isso é irrelevante. Ainda assim o Rio continua lindo...que contraste nada poético. Sim, e ainda tem o carnaval. Na avenida o lixo se reveste de luxo por quatro dias. O prefeito entrega as chaves da cidade pra um certo Rei Momo Diet (tempos modernos) o delegado samba abraçado com o contraventor, mas desde que ele também torça pela verde-rosa. E tudo se resolve na quarta-feira. Interessante é que mesmo enfrentando todos os óbices e contratempos, todos os governos e desgovernos a população ainda mantém um elevado grau de solidariedade, típico de centros menores, conforme demonstrou recente matéria jornalística. Além disso, conseguem se mobilizar para eleger um de seus monumentos símbolo como uma das sete maravilhas do mundo moderno. Embora, quero ressaltar, não consigam unir-se para derrotar um certo mosquito famoso. Ainda assim não perdem a esperança de que tudo melhore mesmo diante de suas misérias diárias. O Rio é apenas um espelho de um país que parece que não sabe de onde veio nem pra onde vai. Difícil entender, o Rio é complexo. O melhor é deixar-se encantar pela bela paisagem e esquecer os inúmeros problemas da “cidade maravilha mutante”. E perceber que para viver em meio ao caos o Carioca faz-se louco, ou melhor entre o mar a montanha e a favela o carioca é livre!