segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Desejo para o Novo Ano...

Desejo primeiro que você ame, E que amando, também seja amado. E que se não for, seja breve em esquecer. E que esquecendo, não guarde mágoa. Desejo, pois, que não seja assim. Mas, se for, saiba ser sem desesperar Desejo também que tenha amigos, Que mesmo maus e inconseqüentes, Sejam corajosos e fiéis, E que pelo menos num deles Você possa confiar sem duvidar. E porque a vida é assim, Desejo ainda que você tenha inimigos. Nem muitos, nem poucos, Mas, na medida exata para que, algumas vezes Você se interpele a respeito De suas próprias certezas. E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo, Para que você não se sinta demasiado seguro Desejo depois que você seja útil. Mas, não insubstituível. E que nos maus momentos, Quando não restar mais nada, Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé Desejo ainda que você seja tolerante, Não com os que erram pouco, porque isso é fácil, Mas, com os que erram muito e irremediavelmente E que fazendo bom uso desta tolerância, Você sirva de exemplo aos outros Desejo que você, sendo jovem, Não amadureça, depressa demais, E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer E que sendo velho, não se dedique ao desespero. Porque cada idade tem o seu prazer e sua dor É preciso que escorram por entre nós. Desejo por sinal que você seja triste, Não o ano todo, mas apenas um dia. Mas, que nesse dia descubra Que o riso diário é bom, O riso habitual é insosso, e o riso constante é insano Desejo que você descubra, Com o máximo de urgência, Acima e a despeito de tudo, que existem oprimidos, injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta Desejo ainda que você afague um gato, Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro Erguer triunfante seu canto matinal Porque, assim, você se sentirá bem por nada. Desejo também que você plante uma semente, Por mais minúscula que seja, E que acompanhe seu crescimento, Para que você saiba de quantas Muitas vidas é feita uma árvore Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, Porque é precioso ser prático E que pelo menos uma vez por ano Coloque um pouco dele Na sua frente e diga: "Isso é meu", Só para que fique bem claro quem é o dono de quem Desejo também que nenhum de seus afetos morra, Por ele e por você. Mas, que se morrer, você possa chorar Sem se lamentar, e sofrer sem se culpar. Desejo por fim, que você sendo homem, Tenha uma boa mulher, E que sendo mulher, Tenha um bom homem E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes, E quando estiverem exaustos e sorridentes, Ainda haja amor para começar. E se tudo isto acontecer, Não tenho mais nada a te desejar. (Victor Hugo)

A ÚLTIMA INSPEÇÃO DO SOLDADO

O Soldado colocou-se de pé e ficou diante de DEUS, pronto era última inspeção pela qual teria que passar, desejando que, assim como a fivela do cinto e os emblemas de metal, também os seus coturnos estivessem a brilhar.
Um passo a frente, soldado!!! Como vou fazer contigo? Fostes fiel à igreja? Destes o outro lado da face ao inimigo? O soldado se perfilou respondendo. “NÃO! NÃO SENHOR! Nós que andamos armados, nem sempre podemos ser amor! Na maioria dos domingos, eu estava de serviço, na igreja não fui não Senhor...Em muitos momentos, eu falei de modo impuro...Houve muitas vezes em que fui violento, pois meu mundo é muito duro...Mas nunca guardei um tostão que a mim não pertencesse...E quanto mais uma conta se acumulava, aos trabalhos extras eu me dedicava, e de minha família me afastava...Mas às vezes, SENHOR, me perdoa, eu chorei por coisas à toa, e por dores dos outros. Reconheço que não mereço ficar entre os que já estão em seu meio; que jamais me quiseram por perto, a não ser quando sentiram receio...Se tiver um lugar para mim, como nunca consegui muito mesmo, luxuoso não precisa ser.E caso não haja nenhum, eu saberei entender ”...
Faz – se silêncio em redor do torno, onde os Santos passeavam. E o soldado esperou, o veredicto do SENHOR...Teu corpo serviu com alma e coração... fez–te escudo para o próximo...Portanto, anda em paz pelo paraíso...INFERNO já foi tua missão...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O Purgatório...

Sonhei que ia morrer. Estava na casa de minha vó,caminhando no jardim que ela tem na frente da casa, esperando a morte. De repente, eu já estava em outro local....me vi na frente de um elevador, dentro de um prédio. Eu já morri, pensei. A porta do elevador abriu-se e entrei na cabine com mais duas pessoas. E agora? Eu temia ir pro inferno, e fiquei nervoso quando o elevador começou a descer mas, em seguida, pra minha sorte, ele subiu. Parecia até pegadinha.
Quando o elevador parou as portas se abriram e vi uma sala estranha, com uma esteira rolante a minha frente. Tipo essas de aeroporto pra despacho de bagagens. Eu subi na esteira e passei por uma passagem na parede. Do outro lado, pra minha surpresa, um grande hall, tipo aeroporto mesmo....uma multidão de pessoas num vai e vem. Eu deduzi...já que estava morto ... que estava no purgatório...
Em seguida, me dirigi a um balcão e uma senhora muito simpática me recebeu. Ela passou várias orientações que não lembro mais. A essa altura eu já sabia que estava morto,mas não me lembrava como tinha morrido, e também não me parecia importante. Não senti medo em momento algum, tirando a parte do elevador descendo.
Eu estava curioso... O local era uma cidade normal, com plantas, amplos corredores, tinha sol lá fora, parecia um shopping, com praça de alimentação e tudo, com jardim ,clarabóia pra luz do sol, palmeiras. Mulheres bem vestidas de óculos andavam de um lado para outro,sim..um shopping normal, mas não vi nenhuma loja ...
Interessante,naquela confusão eu esbarrei com algumas pessoas. Percebi que todos pareciam ter a mesma idade. 33, eu pensei.Alguém me contou que no céu ou no mundo espiritual todos tem 33 anos. Mas ali não era o céu. Não havia espiritos, nem anjos, era uma cidade normal.
A senhora gentil indicou que eu devia ir até uma especie de pub. Me lembro de ver vários restaurantes...mas achei fácil o pub. Os caras que eu tinha esbarrado no hall estavam lá. Já tinha algumas pessoas lá, que eu identifiquei logo como gente que tinha a mesma caminhada de vida que eu, os mesmos problemas etc. Pareciam-me familiares. Mas acho que não conhecia ninguém daquele grupo, ao menos fisicamente. Mas eu sentia que tinhamos muito em comum.
Pela atitude deles, percebi que estavam me esperando. Era um pub bacana, decoração inglesa, com mesas e bancos ao lado do balcão. Tinha alguns copos de refrigerante no balcão, e poltronas vermelhas formavam um ambiente acolhedor para bate papo. Não vi o atendente, mas senti que ele estava ali. Parecia com aqueles restaurantes tipo outback ou algo do genero...mas não vi ninguém comendo nem bebendo.
Começou nesse momento uma espécie de reunião de grupo...tipo auto ajuda, sei lá...
Como eu estava meio perdido, sem saber o que fazer comecei a falar em voz alta...
Eu iniciei dizendo que não imaginava que o purgatório fosse daquele jeito. Estava até satisfeito porque não estava vendo ninguém sofrendo, e sempre me disseram que no purgatório é um sofrimento só...
Eu disse a eles, que estava feliz, porque sabia que no purgatório,todos os sábados Nossa Senhora vinha buscar os filhos dela. Foi nesse momento que percebi algo diferente. Foi só eu falar em Nossa Senhora e em Jesus que as pessoas começaram a chorar imediatamente. Eu senti uma unção em falar de Deus e da sua misericórdia, parecia que eu estava num grupo de oração,como nos bons tempos. Percebi nos rostos deles, entre lágrimas, uma imensa sede, a saudade de Deus.
Como eu não estava sofrendo deduzi que só podia estar vivo. E ali era o purgatório mesmo...
Percebi depois que acordei desse sonho que aquelas pessoas ali , na verdade, são as almas por quem eu sempre oro em minhas orações. Eu tenho o costume de orar pelas pessoas que tem os mesmos problemas que eu tenho, que passam pelas mesmas tribulações, de entrega-las quando do momento da elevação do santissimo sacramento, em cada missa. Essas pessoas tem maior capacidade de compreender o nosso sofrimento. Há uma unidade. Aquelas almas contam comigo para sua purificação. E pelo interesse delas em me ouvir percebi que almas também se preocupam comigo.

Sonhos com Padre Pio

Sonhos com padre Pio Seguem alguns relatos de sonhos com esse grande santo da Igreja Católica
Pessoal....alguem aí também ja teve encontros com o padre Pio em sonhos? pô eu nem conhecia ele ainda...e precisava muito de um diretor espiritual...estava angustiado com meus problemas..Foi assim meu primeiro sonho: me vi numa sala de um convento todo de pedra e um frei franciscano veio me atender...eu pensei...não é S. Francisco..pois eu o conhecia,mas sabia que era um padre franciscano... Puxa, falamos longamente sobre toda a minha vida..ele foi muito atencioso.. falou dos planos de DEus pra mim..fiquei em paz...depois acordei. Algum tempo depois..quando visitei a casa de uma amiga vi a foto do padre pio...fiquei intrigado e disse...que já conhecia aquela pessoa de algum lugar...então me lembrei do sonho. Acho que ele me escolheu como filho espiritual...Padre Pio passou a fazer parte da minha vida...ja sonhei outras vezes, padre pio tem um jeito muito peculiar de me dar as respostas que procuro...e vc?
Antes de eu conhecer o Padre Pio, eu reclamava a Deus dizendo que os Santos não tiveram de enfrentar as dificulades e tentações do seculo 20. Daí acho que Deus me apresentou um Santo contemporaneo, que viu o mundo do jeito que esta hoje...com todas as dificuldades atuais..afinal Pe pio morreu em 1968...enfrentou as duas guerras mundiais, viu a bomba atomica..etc... Outro... Sonhei que eu estava conversando com um padre com hábito franciscano e falavámos sobre Pe Pio. Eu n via o rosto desse padre mas falávamos como velhos conhecidos. ele inclusive me deu reliquias do Pe pio durante o sonho. Ouvi entao uma voz interior que me disse que esse padre devoto de Pe Pio com quem eu falava está Vivo e que intercede por mim. Interessante...fiquei pensando quem será esse padre...disseram-me que pode ser Padre Roberto da Toca...mas com o tempo saberei. Lugar incomum... Sonhei que estava num lugar lindo...tinha arvores belissimas ao longo de um caminho. Em cima de uma colina suave tinha uma bela igreja estilo germanico.Eu ouvia uma suave musica tocando..parecia canto gregoriano.. e em volta tudo era um campo muito bonito... olhei para dentro da igreja e senti que Jesus estava lá e que eu devia entrar na capela... Só me lembro que meus braços estavam erguidos e que eu só louvava o tempo todo,extasiado pela beleza do lugar..eu louvava e louvava muito a Deus sem parar...um sentimento de paz..incrivel..Depois disso vi O padre Pio. Ele trazia o Santissimo sacramento nas mãos e mostrava pra mim.Vi ele entrando com o Santìssimo numa sala que estava toda desarrumada, com roupas e coisas pelo chão ( seria minha vida?)Vi também, um rapaz muito sorridente e alegre com um TAU no pescoço e que olhava pra mim...como que a me conduzir...depois quando acordei discerni como sendo o meu Anjo da Guarda..e o lugar que eu vi com certeza era o céu!

A origem da Cultura...

UniCEUB Antropologia- prof. Leandro Marshall Nome: Heron Andrade Turno: noturno Resenha do livro Cultura um conceito antropológico, de Roque de Barros Laraia. O presente trabalho é uma resenha crítica do livro Cultura um Conceito Antropológico, de Roque Laraia. No prólogo, o autor explica o que pretende com o texto, ou seja, abordar a leitores iniciantes em Antropologia as noções básicas sobre cultura. Divide a apresentação em duas partes. Na primeira discorre sobre a natureza da cultura ou da natureza à cultura. Na segunda parte do livro Laraia explica como opera a cultura na sociedade e de que forma o homem é influenciado pela cultura em que está inserido. “A natureza dos homens é a mesma, são seus hábitos que os mantêm separados”. Essa citação de Confúcio denota a complexidade do assunto abordado e nos introduz no objeto de reflexão do autor. A primeira parte do livro é dividida em seis capítulos: o determinismo biológico; o determinismo geográfico; antecedentes históricos do conceito de cultura; o desenvolvimento do conceito de cultura; idéia sobre origem da cultura e as teorias modernas sobre cultura. Inicialmente no capítulo o Determinismo Biológico, o autor se refere aos aspectos genéticos. Segundo ele, existe uma tendência de consenso entre os cientistas de que “...as diferenças genéticas não são determinantes das diferenças culturais”. Dessa forma, entende-se que uma criança pode ser educada em qualquer cultura e que mentalmente não se diferenciará em nada de seus irmãos de criação. Por exemplo, se uma criança brasileira oriunda do sertão nordestino é educada por suecos, desde pequena, na Europa, ela terá as mesmas condições de desenvolvimento que uma criança sueca. Ao apresentar o capítulo Determinismo Geográfico, Laraia considera como o meio ambiente influencia a diversidade cultural, ou seja “a ação mecânica das forças naturais sobre uma humanidade puramente receptiva”. Essa teoria foi difundida no início do século XX, por geógrafos, teve grande popularidade e tentava explicar a existência de civilizações mais desenvolvidas em função da latitude. Todavia, a partir dos anos 1920, esse tipo de determinismo foi refutado, tendo em vista uma série de exemplos de povos que viviam numa mesma região e que desenvolveram hábitos culturais totalmente diferentes. Um exemplo, é o caso dos índios do Parque Nacional do Xingu. Os Xinguanos e os Kayabi habitam o mesmo parque. Os Xinguanos não consomem proteínas de grandes mamíferos, pois a caça é proibida por razões culturais. Já os Kayabi são excelentes caçadores e preferem justamente os mamíferos de grande porte, como a anta, o veado, o caititu. Outro caso interessante é o de esquimós e lapões. Ambos vivem em regiões de clima muito frio, o primeiro na América e o segundo na Europa , no entanto, desenvolveram culturas totalmente diferentes, seja na forma de construção de suas moradias, alimentação e caça, demonstrando que necessidades de sobrevivência diferentes são preponderantes sobre a limitação do ambiente. No capítulo Antecedentes Históricos do Conceito de Cultura o autor define como uma tarefa primordial da Antropologia moderna a compreensão da evolução da elaboração do conceito de cultura ao longo do tempo, a partir da citação de vários pensadores. Para Edward Tylor (1832-1917) cultura é “ no amplo sentido etnográfico este todo complexo que inclui conhecimentos, crenças,arte, moral, leis, costumes,ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade.” Em 1871, Tylor definiu cultura como sendo “ o comportamento aprendido, tudo aquilo que independe de uma transmissão genética”. Na visão de Locke (1632-1704) e Marvin Harris (1969) que compartilham da idéia da tabula rasa, o homem não tem uma bagagem cultural inata. Marvin Harris acrescenta “ nenhuma ordem social é baseada em virtudes inatas, uma mudança no ambiente resulta numa mudança de comportamento.” No capítulo seguinte o autor acrescenta observações dos principais estudiosos que formularam conceitos de cultura. Segundo Tyler, a diversidade de culturas seria resultado da desigualdade de estágios existentes no processo evolutivo. Com isso, visava estabelecer uma escala de sociedades mais evoluídas, como as nações européias, e no outro extremo as menos evoluídas, as tribos selvagens. Esse ponto de vista era corrente no decorrer do séc. XIX por influência da Origem das Espécies, de Charles Darwin e se caracterizava pela idéia de que a cultura se desenvolve de modo uniforme. Assim, cada sociedade há de passar por várias etapas até atingir um nível mais avançado. Em outras palavras Laraia resume “Etnocentrismo e ciência marchavam juntas nessa época”. Em contraposição ao evolucionismo, surge Franz Boas que defendeu a chamada Escola Cultural Americana ou particularismo histórico, segundo a qual cada cultura segue seus próprios caminhos em função dos diferentes eventos históricos que enfrentou. Nesse sentido, a explicação evolucionista de cultura só tem sentido quando multilinear. Há ainda, uma outra discussão em foco: o que é vital e o social, isto é o biológico e o cultural. “A preocupação de Kroeber é evitar a confusão, ainda tão comum, entre o orgânico e o cultural. Não se pode ignorar que o homem, membro proeminente da ordem dos primatas, depende muito de seu equipamento biológico. Para se manter vivo, independentemente do sistema cultural ao qual pertença, ele tem que satisfazer um número determinado de funções vitais, como a alimentação, o sono, a respiração, a atividade sexual etc. Mas, embora estas funções sejam comuns a toda humanidade, a maneira de satisfazê-las varia de uma cultura para outra”.(LARAIA, 37). O que Kroeber procurou mostrar e é ressaltado no texto de Laraia é que o homem superou o lado biológico e de certa forma liberou-se da natureza. Dessa forma, a espécie se expandiu por todos os confins do planeta, adaptando-se a qualquer ambiente, fato que nenhum outro animal realizou. Com relação ao conceito de Cultura, Kroeber a definiu como um processo acumulativo de experiências. Assim, o modo de vida de um grupo influencia mais o comportamento do que a herança genética. Além disso, adquirindo cultura o homem passou a depender mais do aprendizado do que a agir de forma geneticamente determinada. Outra questão polêmica é que Kroeber define gênios como Einstein ou Santos Dumont, não a partir da herança genética, mas como pessoas comuns, que sabem utilizar os conhecimentos da sociedade, da sua cultura para desenvolver novas teorias, novos conhecimentos e máquinas. Referindo-se à cultura como um processo cumulativo o autor compara o rápido distanciamento do homem em relação aos animais pelo aprendizado da comunicação. Pela comunicação oral a criança vai recebendo todo conhecimento acumulado da cultura em que vive. Por outro lado, um animal também tem suas formas de comunicação. Ocorre que o homem desenvolveu a tal ponto seu nível de integração com outro semelhante que a transmissão dos conhecimentos se dá de forma mais efetiva, beneficiando toda a espécie. Um chipanzé não consegue comunicar às futuras gerações o conhecimento que tenha aprendido com suas experiências. Tudo morre com o indivíduo. Em conseqüência, o capítulo se encerra com uma importante constatação: não existiria cultura se o homem não tivesse desenvolvido um sistema articulado de comunicação oral. Num passo seguinte, no capítulo Idéia sobre a Origem da Cultura, Laraia aborda o surgimento da cultura como resultado da mudança do cérebro humano com o aumento da capacidade de absorção e desenvolvimento. Lévi-Strauss é destacado no texto, por sugerir que a cultura teria nascido no momento em que o homem convencionou a primeira regra, a primeira norma de conduta social. Mas para Leslie White, o homem diferenciou-se dos animais quando o cérebro foi capaz de gerar símbolos e de interpretá-los: “todo comportamento humano se origina no uso de símbolos”. De fato, sem símbolos não haveria cultura. Mas paira o questionamento se esta seria uma característica unicamente humana e devido à complexidade física do cérebro. Para Kroeber e uma corrente de pensadores católicos existiu um ponto crítico na história humana, em que houve a eclosão da cultura. Dessa forma a cultura teria surgido como um acontecimento imediato, para o cientista, ou no pensamento religioso, preocupado em conciliar fé e ciência, a cultura surgiu no momento exato onde a evolução atingiu tal ponto que o homem tornou-se digno de receber uma alma e tornar-se filho de Deus. Todavia, o ponto crítico foi provado como uma impossibilidade científica, pois a natureza não age por saltos. O corpo humano levou milhares de anos para formar-se e a cultura foi se desenvolvendo de forma simultânea ao equipamento biológico humano, assim como ocorreu com o bipedismo e aumento do volume cerebral,outras características intrínsecas do homem. No final da primeira parte do livro, Laraia nos apresenta as modernas teorias sobre cultura. Por um lado, há aqueles antropólogos que percebem a cultura como um sistema adaptativo. Apesar de muitas divergências, autores como Leslie White , Keesing, Harris e Salis, concordam em afirmar que cultura são padrões de comportamento transmitidos e que o homem muda culturalmente para se adaptar às mudanças do meio ambiente. Nesse contexto, o uso de ferramentas, a organização social, a economia de subsistência são formas de domínio adaptativo da cultura. Keesing ainda menciona as teorias idealistas de cultura, as quais se subdividem em cultura como sistema cognitivo,isto é, aquela construída pelos membros da comunidade a respeito de seu próprio universo;a cultura como sistemas estruturais, ou seja aquela que é definida a partir dos símbolos, como uma criação acumulativa da mente do homem; e a cultura como sistemas simbólicos onde existem duas abordagens distintas: uma considera cultura como um conjunto de mecanismos de controle, planos,receitas, regras e instruções para governar o comportamento. Para a outra corrente a cultura é um sistema de símbolos e significados e compreende categorias ou unidades e relações e regras sobre modos de comportamento. Concluindo a primeira parte do livro, Laraia observa: “os antropólogos sabem de fato o que é cultura,mas divergem na maneira de exteriorizar esse conhecimento”. Na segunda parte do Livro Laraia se propõe a abordar a cultura de modo mais prático. Sua intenção é mostrar como a cultura molda a vida do ser humano e condiciona sua visão de mundo. Já no primeiro capítulo ele compara homens de povos distintos como se usassem lentes diversas e por isso suas visões do mundo seriam desencontradas. Desse modo, para um antropólogo a floresta amazônica seria apenas um emaranhando confuso de árvores e arbustos, mas para um indígena a floresta está repleta de simbologias, de referenciais para sua vida, como árvores que demarcam a localização ou plantas de uso medicinal que só um nativo reconheceria. Todos nós temos a tendência de achar que nossa visão de mundo é sempre a melhor. Discriminamos os valores, os costumes alheios. Isso decorre de uma herança cultural de ordem moral e valorativa. Assim, facilmente identificamos as pessoas estranhas a nosso convívio pela roupa, postura, língua. Pessoas de costumes diferentes riem de costumes diversos. Laraia cita o exemplo do pastelão americano que assistido por brasileiros tem menos graça do que uma comédia erótica italiana, porque espera-se em nossa cultura que as anedotas venham com uma dose de sexo e não com arremesso de tortas e bolos na face do adversário. Em outras palavras até o riso é condicionado por padrões culturais. Em seguida, um aspecto interessante é abordado. Trata-se de como a cultura interfere no plano biológico humano. Como exemplos são citados os escravos africanos que uma vez acorrentados e trazidos à América , afastando-se de suas raízes sofriam de apatia, perdiam a razão de viver e muitos cometiam suicídio provocado pelo chamado banzo ou saudade. Outro exemplo trágico apresentado pelo autor é a morte de índios brasileiros Kaigandes próximos a São Paulo quando da construção de ferrovias dentro de suas terras. Os seus deuses e rituais mostraram-se impotentes contra a máquina branca e com isso os jovens se subjulgaram à nova cultura, os velhos perderam a esperança e esperavam a morte que não tardava a ocorrer. Por outro lado, e por dizer menos traumático, a sociedade moderna convive com as chamadas doenças psicossomáticas, o stress, a depressão que nada mais são do que conseqüências da frustração encontrada diante dos modelos de vida dos grandes centros urbanos. Outro aspecto considerado pelo autor é o fato de que os indivíduos participam de forma limitada de sua cultura. Não é possível um indivíduo estar igualmente familiarizado com todos os aspectos de sua sociedade.Isso ocorre por diversas razões como distinção de sexo, idade, incapacidade de desenvolver funções por limitações físicas. Mas algumas razões são meramente arbitrárias. Em muitas culturas, mulheres têm acesso restrito a determinadas atividades e funções sociais. Na nossa sociedade, por exemplo, um jovem de 16 anos pode votar, mas não pode dirigir, nem ir à guerra, nem ser preso caso cometa um crime comum. Determinados filmes só são permitidos a maiores de 18 anos. Mas qual é a diferença de um adulto de 18 anos e um jovem de 17 anos 11 meses e 20 dias? Tratam-se de arbitrariedades culturais. O primordial nessa discussão é que o indivíduo conheça o mínimo dos aspectos de sua cultura que lhe permita articulação eficaz com os demais membros da sociedade. A cultura de um povo tem sua própria lógica. Temos a tendência de só considerar lógico o nosso sistema cultural e desprezar os que nos são estranhos. O autor destaca que um hábito cultural só poderá ser analisado se observado a partir da cultura em que está inserido. Por fim, Laraia trata da dinamicidade da cultura. Nesse aspecto, o tempo é um elemento importante. Hábitos dos anos 50, em nossa sociedade hoje passam despercebidos pelos nossos jovens. As regras morais, então vigentes nos chamados anos dourados, podem ser consideradas nulas em nossos dias. Uma jovem hoje pode fumar ou beijar em público sem que sua reputação seja maculada. Diga-se, algo impensável na época da juventude de sua mãe. Da mesma forma, o casamento indissolúvel foi posto à prova e as pessoas passaram a agir de modo diferente com o passar dos anos. Cada sistema cultural está em constante mudança. É importante respeitar a diversidade entre os povos, saber entender as diferenças e estar apto a enfrentar serenamente as constantes mudanças. Concluindo, o texto de Laraia nos fornece importantes subsídios para entender o que vem a ser cultura. Questão essa de difícil solução, pois está permeada de questionamentos profundos sobre o que é o ser humano,suas origens e o que nos diferencia dos outros animais desse planeta. Ao expor as diversas teorias de autores que viveram em tempos diferentes percebe-se que nossa noção, nosso conhecimento está em constante evolução e que novas reflexões são produzidas a cada dia pelos estudiosos de Antropologia.

O nome da Rosa

Análise do Filme O nome da Rosa
O Nome da Rosa, de Jean Jacques Annaud data de 1986 e é uma adaptação ao cinema da obra literária do escritor italiano Humberto Eco (1983). Trata-se de uma contextualização da sociedade dentro de um monastério italiano na idade média. O título é interessante e refere-se a uma pobre jovem que vivia em volta do mosteiro e que vendia seu corpo aos religiosos em troca de alimento. A história principal é o mistério em torno de assassinatos que ocorrem dentro da abadia e a investigação desses crimes por um frade franciscano amante da ciência e da filosofia. A obra tem um caráter tão realista que o observador tende a crer que a narrativa realmente ocorreu. Se fossemos resumir a história as palavras chaves seriam mistério, segredo, livro e rosa.
O contraste entre luz e sombras é marcante no filme. Tanto no que se refere à fotografia quanto no proceder das personagens, na forma de ver o mundo,uns abertos à cultura, ao saber, contrastando com outros com uma visão mais restrita, sujeita às normas da igreja medieval sob o controle terrível da santa inquisição. Além disso, o filme envolve outras questões da vida medieval. É apresentada a riqueza dos monges de um lado e a miséria da população às portas da abadia, numa crítica ao domínio temporal da Igreja católica. O observador se identifica com a astúcia e inteligência lógica e racional do frade franciscano ( que é tido como vaidoso,ou arrogante pelo seu notável saber cientifico) que se depara com a ignorância e cegueira religiosa dos monges beneditinos. A linguagem da narrativa tenta nos aproximar do dia a dia no monastério. São mostradas as relações entre os clérigos: os olhares, os gestos metódicos, os rituais monásticos, o trabalho na biblioteca, o santo e o profano. Essas cenas nos levam a questionar o comportamento dos personagens e não deixam de ser uma crítica velada também à Igreja quando apresentam cenas de tortura, a venda de indulgências e as sugestões de relações homoeróticas. Além disso, outras cenas mostram a pureza do amor do noviço pela jovem camponesa , e os desvios e a compulsão sexual humana dentro de um ambiente religioso preponderantemente masculino. Enfim, uma gama de detalhes são apresentados pelo narrador da história e que permitem ao observador mergulhar num ambiente tenso, assombroso e de mistério em que se desenrola a trama da película. Fica a pergunta: será que o diretor do filme conseguiu seguir a mesma linha de interpretação do autor do livro? Sobre o pensamento do autor ao escrever o livro e a justificativa para seu título Humberto Eco descreve:

Um autor que intitulou seu livro O Nome da Rosa deve estar disposto a enfrentar muitas interpretações de seu título. Enquanto autor empírico,escrevi que escolhi esse título com a finalidade de deixar o leitor livre: A rosa é uma imagem tão rica de significados que, a esta altura, não tem significado algum [...] Provavelmente eu quis abrir tanto o leque de leituras possíveis, de modo a tomar cada uma delas relevante, que por isso produzi uma série inexorável de interpretações. Mas o texto está aí, e o autor empírico deve permanecer em silêncio. (ECO, Umberto. Interpretação e Superinterpretação. São Paulo:Martins Fontes, 2001, p. 193)

Como se percebe o autor no livro deixa livre o leitor para interpretar a história. O filme, até pela força da imagem, direciona mais o espectador. O filme O nome da Rosa é , portanto, riquíssimo em signos. E se presta a inúmeras análises. Nesse contexto, finalizando o trabalho serão apresentados alguns aspectos relevantes percebidos no filme , sob a visão de Pierce:

· Primeiridade: Ambiente isolado na montanha, solidão, Abadia escura. · Quali-signo: o frio das montanhas, a neve, a escuridão do mosteiro, o fogo, a música gregoriana. · Sin-signo: assassinato no mosteiro, o incêndio na torre, o acidente com o inquisitor. · Legi-signo: o canto gregoriano, o beijo de saudação entre os monges, a organização da igreja, proibição do riso entre os beneditinos. · Ícone: a imagem de nossa senhora, os livros ( imagem do conhecimento inacessível), a torre (imagem de mistério), os gárgulas nas paredes. · Índice: pegadas fundas na neve ( forneceram pistas do assassino), dedos escuros das vítimas ( presença de veneno), o venerável jorge e sua atitude de avareza e excessivo controle sobre a biblioteca. (indicando culpa) · Símbolo: a cruz levada no peito dos monges, o hábito dos monges(vestimenta), os livros da biblioteca ( símbolo de conhecimento, de poder), hierarquia da igreja.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O QUE É O SER HUMANO?

Assistimos em sala de aula um documentário instigante sobre as origens do universo. Vimos o Bing bang, a teoria de uma explosão sobre o momento onde tudo começou, a formação das galáxias, do nosso sistema solar,da Terra e a imensidão de tudo que nos rodeia. Somos frutos do acaso. Incontáveis fatores de improbabilidade matemática se somaram, deram origem à vida primitiva, que evoluiu durante bilhões de anos, numa série de eras de nome esquisito, atingindo seu produto mais evoluído: o Ser Humano. Fico a pensar na magnitude do universo em expansão, os planetas girando, as estrelas que brilham, tudo em harmonia, funcionando com perfeição. Mas afinal de contas o que é o Ser Humano? É o ponto focal a discutir. Se somos frutos da evolução do universo, seriamos nós também perfeitos? A resposta poderia ser sim, mas no meu entender é um justificado não. É nítida a capacidade que nós alcançamos de nos destruir pela guerra, pela ambição, pela palavra, ou pela nossa capacidade de não aceitação das diferenças de nossos semelhantes. Por outro lado, se o universo levou bilhões de anos para se aperfeiçoar é possível que nós humanos também estejamos nesse processo evolutivo e que em dado momento, se não nos destruirmos durante o caminho, atingiremos um grau de harmonia e haverá em dado momento a paz. A espécie humana é açoitada por todo tipo de questionamentos desde o surgimento do homem, quando ele começou a se perceber e se distinguir como ser racional. Fazendo perguntas e procurando as respostas certas, o homem desenvolveu-se ao logo da História, descobrindo a cada dia, um pouco mais sobre os mistérios do universo. Todavia, uma terrível certeza está diante de nós. A vida é finita. A morte é uma experiência pessoal de cada indivíduo sem data marcada. Quando tomamos consciência da brevidade da vida, diante de um acidente, de uma doença trágica na família é que nos deparamos a questionar o sentido mais profundo de nossa própria existência, o tal “quem somos nós?”, enfim, qual a razão de tudo que sofremos. Não raras vezes, nessas oportunidades de dor redefinimos o rumo de nossas vidas. Alguns fazem isso, nem todos. Não sei se é possível definir resumidamente o Ser Humano, afinal as pessoas passam a vida toda se perguntando o que são, qual seu destino, sua missão. Numa rápida pesquisa encontrei definições interessantes que me ajudam a refletir: · o homem é um animal bípede da ordem dos primatas pertencente à subespécie Homo sapiens sapiens, diz a ciência; · é um ser composto por 1 corpo (matéria, invólucro) e um espírito (não matéria, essência), segundo uma visão filosófica;e · é um Projeto falido; uma piada de mau-gosto; criatura criada durante uma ocasião de muito tédio numa clara reclamação aos deuses do destino humano de ser jogado sobre a terra sem ter pedido para nascer e ter de enfrentar as vicissitudes da luta pela sobrevivência, como a gripe aviária, suína e espanhola. A Ciência , a Religião e a Filosofia parecem destinadas a se digladiar em buscas de respostas e de adeptos a suas teorias. É importante que seja assim. A partir do pensamento, talvez uma das características mais marcantes do Ser Humano é que ele é livre! E que pode definir seu destino. Os animais ainda estão presos aos instintos. Nós, ao contrário, adquirimos tal complexidade que vamos além do sentir, além dos hormônios, criamos a fala, a escrita, padrões culturais, rígidas estruturas sociais, para os quebrar mais tarde; nos adaptamos para sermos aceitos no nosso grupo de convivência, fazemos amor, fazemos a guerra. Sim, o Homem é um ser livre. Não é possível afirmar se algum dia teremos todas as respostas às perguntas do homem. Se acaso alguém chegar lá vai se deparar com o próprio Deus, ou com o nada. De qualquer maneira quanto mais formos questionando, pesquisando, mais saberemos sobre nós mesmos. Assim, refletir sobre o que é o Ser Humano deveria ser encarado a partir de uma visão pessoal para depois compreendermos o todo. Depende do modo como enfrentamos a vida. Uma vida fugaz e passageira onde a maioria das pessoas prefere não gastar tempo refletindo nessa profundidade freudiana. A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.Desta forma, eu digo: Não deixe de fazer algo que deve devido à falta de tempo; a única falta que terá, será desse mesmo tempo que infelizmente não voltará jamais. Mário Quintana

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Elogio da Loucura: o Rio de Janeiro

Depois do turbilhão de idéias de Erasmo de Rotterdam descritas no livro o Elogio da Loucura estava eu a pensar sobre o que escrever. Sem grandes pretensões filosóficas, decidi não usar método nem coerência. Pensei em algum assunto que me despertasse algum tipo de reflexão, fruto de minhas observações pessoais, para ser bem empirista mesmo. Logo me veio à tona a Cidade Maravilhosa local , onde vivi, em diferentes fases de minha vida uns oito anos. Tempos atrás, logo ao chegar na cidade, uma frase numa placa de rua me chamou atenção na famosa Avenida Brasil: “se você ama o Rio você também é carioca. Seja Bem-Vindo!” Achei uma assertiva muito simpática, considerando que todo brasileiro é um pouco carioca. Sim, isso eu descobri no exterior numa visita à Bósnia, pois quando conversava com as pessoas ao me referir ao Brasil me apropriava do Corcovado e de Copacabana,como se fossemos vizinhos. Na verdade, naquela época eu morava no extremo sul do país, mas alguém na Bósnia vai lá saber onde fica o Alegrete? Lá fora o Brasil é o Rio e nem adianta paulista chiar, ô meu! Por outro lado, na prática, quando se vai habitar no subúrbio carioca, quase tão longe do mar quanto Porto Alegre de Tramandaí em dia de Free-way congestionada, a tal frase simpática perde muito do efeito. De fato, a região conhecida por Zona Oeste é tão carente de assistência e de infraestrutura urbana que pensa-se estar no fim do mundo! Ao contemplar aquela paisagem suburbana desordenada e pobre, com pessoas com as vidas marcadas por essa realidade, fica claro o que deve ter influenciado a Fernanda Abreu a cantar “Rio 40º graus , cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos”. Fala sério, diria um carioca da gema, alertando logo que a descolada Barra da Tijuca, o bairro dos emergentes, também fica na Zona Oeste! Ora, a isso eu respondo que a Barra não é Rio mas é Miami! Loucura, não? Sim, mas não para os aclamados projetistas do bairro que copiaram o modelo urbano daquela cidade norte americana. Sendo uma das cidades do mundo mais cantadas em verso e prosa por poetas e seres dautônicos afins, o Rio exerce uma influência e fascínio indescritíveis. Seja pela sua formosa e exuberante natureza ( ou o que resta dela) ou pelas chagas sociais estampadas nas páginas policiais ou nos telejornais. Mas o Rio continua lindo, diz o baiano. Cidade que nos anos dourados, se é que realmente existiram, era uma espécie de riviera francesa deslocada aos trópicos, local preferido de refúgio de dez entre dez bandidos vips do cinema internacional, hoje é um resumo representativo de um país dividido entre os que tem e os que não tem e acrescento também, pra não ser parcial, os que não opinam ou não sabem ler pra saber a diferença. O Rio é assim. A loucura da convivência do luxo com o lixo. Assim como o mar faz par com as montanhas da Guanabara, o apartamento de luxo da Avenida Atlântica é vizinho dos morros e da bala perdida. Só no ano passado mais de 300 pessoas foram premiadas com um disparo. Mais de uma dezena perderam sua vida por isso. Numa cidade sabidamente internacional, espelho do país, isso é muito significativo. A Zona Sul...sim é linda. Eu morei na Urca, ali perto do bondinho do pão de açúcar, na Praia Vermelha. Morava, na realidade na frente da estação. Bem, eu nunca andei de bondinho, pois os preços proibitivos são pra inglês ver e diga-se pagar. E a visão do mar? O barquinho a deslizar ...sim... maravilhoso. Isso me lembra outra frase insana que ouvi por lá, percebam , alguns anos atrás, que se referia ao Rio de Janeiro como um arco-íris: “o mar é verde. O céu é azul. A governadora é Rosinha, mas o Comando é vermelho e a coisa tá preta!” Aliás, quem fala Rio de Janeiro é paulista. Pros nativos é apenas Rio. Bem, mas se existem sérios problemas na segurança pública o certo seria a população se esforçar para eleger bons mandatários que solucionassem a questão, certo? Se houvesse uma resposta certa esse texto nada teria a ver com elogio da loucura. Pois bem, explico: no Rio um candidato ao governo da cidade mesmo estando bem nas pesquisas eleitorais perdeu o pleito porque a eleição caiu no meio de um feriado. Pois, seus eleitores conscientes foram pra região dos lagos, curtir o fim de semana prolongado em Búzios e Cabo Frio. A propósito, na época eu também fui, mas eu votava em Brasília. Mas continuando, como exemplo de metrópole dos trópicos, no Rio o trânsito não funciona, afinal cariocas não gostam de sinal fechado.O transporte público é caótico, a segurança pública só existe em condomínios fechados, o mar está poluído, pela falta de saneamento público, o estado é ineficiente e inexistente nas comunidades da cidade que estão dominadas pelo tráfico, pelas milícias. Até a garota de Ipanema está gorda, segundo o New York Times. Mas isso é irrelevante. Ainda assim o Rio continua lindo...que contraste nada poético. Sim, e ainda tem o carnaval. Na avenida o lixo se reveste de luxo por quatro dias. O prefeito entrega as chaves da cidade pra um certo Rei Momo Diet (tempos modernos) o delegado samba abraçado com o contraventor, mas desde que ele também torça pela verde-rosa. E tudo se resolve na quarta-feira. Interessante é que mesmo enfrentando todos os óbices e contratempos, todos os governos e desgovernos a população ainda mantém um elevado grau de solidariedade, típico de centros menores, conforme demonstrou recente matéria jornalística. Além disso, conseguem se mobilizar para eleger um de seus monumentos símbolo como uma das sete maravilhas do mundo moderno. Embora, quero ressaltar, não consigam unir-se para derrotar um certo mosquito famoso. Ainda assim não perdem a esperança de que tudo melhore mesmo diante de suas misérias diárias. O Rio é apenas um espelho de um país que parece que não sabe de onde veio nem pra onde vai. Difícil entender, o Rio é complexo. O melhor é deixar-se encantar pela bela paisagem e esquecer os inúmeros problemas da “cidade maravilha mutante”. E perceber que para viver em meio ao caos o Carioca faz-se louco, ou melhor entre o mar a montanha e a favela o carioca é livre!