quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O nome da Rosa

Análise do Filme O nome da Rosa
O Nome da Rosa, de Jean Jacques Annaud data de 1986 e é uma adaptação ao cinema da obra literária do escritor italiano Humberto Eco (1983). Trata-se de uma contextualização da sociedade dentro de um monastério italiano na idade média. O título é interessante e refere-se a uma pobre jovem que vivia em volta do mosteiro e que vendia seu corpo aos religiosos em troca de alimento. A história principal é o mistério em torno de assassinatos que ocorrem dentro da abadia e a investigação desses crimes por um frade franciscano amante da ciência e da filosofia. A obra tem um caráter tão realista que o observador tende a crer que a narrativa realmente ocorreu. Se fossemos resumir a história as palavras chaves seriam mistério, segredo, livro e rosa.
O contraste entre luz e sombras é marcante no filme. Tanto no que se refere à fotografia quanto no proceder das personagens, na forma de ver o mundo,uns abertos à cultura, ao saber, contrastando com outros com uma visão mais restrita, sujeita às normas da igreja medieval sob o controle terrível da santa inquisição. Além disso, o filme envolve outras questões da vida medieval. É apresentada a riqueza dos monges de um lado e a miséria da população às portas da abadia, numa crítica ao domínio temporal da Igreja católica. O observador se identifica com a astúcia e inteligência lógica e racional do frade franciscano ( que é tido como vaidoso,ou arrogante pelo seu notável saber cientifico) que se depara com a ignorância e cegueira religiosa dos monges beneditinos. A linguagem da narrativa tenta nos aproximar do dia a dia no monastério. São mostradas as relações entre os clérigos: os olhares, os gestos metódicos, os rituais monásticos, o trabalho na biblioteca, o santo e o profano. Essas cenas nos levam a questionar o comportamento dos personagens e não deixam de ser uma crítica velada também à Igreja quando apresentam cenas de tortura, a venda de indulgências e as sugestões de relações homoeróticas. Além disso, outras cenas mostram a pureza do amor do noviço pela jovem camponesa , e os desvios e a compulsão sexual humana dentro de um ambiente religioso preponderantemente masculino. Enfim, uma gama de detalhes são apresentados pelo narrador da história e que permitem ao observador mergulhar num ambiente tenso, assombroso e de mistério em que se desenrola a trama da película. Fica a pergunta: será que o diretor do filme conseguiu seguir a mesma linha de interpretação do autor do livro? Sobre o pensamento do autor ao escrever o livro e a justificativa para seu título Humberto Eco descreve:

Um autor que intitulou seu livro O Nome da Rosa deve estar disposto a enfrentar muitas interpretações de seu título. Enquanto autor empírico,escrevi que escolhi esse título com a finalidade de deixar o leitor livre: A rosa é uma imagem tão rica de significados que, a esta altura, não tem significado algum [...] Provavelmente eu quis abrir tanto o leque de leituras possíveis, de modo a tomar cada uma delas relevante, que por isso produzi uma série inexorável de interpretações. Mas o texto está aí, e o autor empírico deve permanecer em silêncio. (ECO, Umberto. Interpretação e Superinterpretação. São Paulo:Martins Fontes, 2001, p. 193)

Como se percebe o autor no livro deixa livre o leitor para interpretar a história. O filme, até pela força da imagem, direciona mais o espectador. O filme O nome da Rosa é , portanto, riquíssimo em signos. E se presta a inúmeras análises. Nesse contexto, finalizando o trabalho serão apresentados alguns aspectos relevantes percebidos no filme , sob a visão de Pierce:

· Primeiridade: Ambiente isolado na montanha, solidão, Abadia escura. · Quali-signo: o frio das montanhas, a neve, a escuridão do mosteiro, o fogo, a música gregoriana. · Sin-signo: assassinato no mosteiro, o incêndio na torre, o acidente com o inquisitor. · Legi-signo: o canto gregoriano, o beijo de saudação entre os monges, a organização da igreja, proibição do riso entre os beneditinos. · Ícone: a imagem de nossa senhora, os livros ( imagem do conhecimento inacessível), a torre (imagem de mistério), os gárgulas nas paredes. · Índice: pegadas fundas na neve ( forneceram pistas do assassino), dedos escuros das vítimas ( presença de veneno), o venerável jorge e sua atitude de avareza e excessivo controle sobre a biblioteca. (indicando culpa) · Símbolo: a cruz levada no peito dos monges, o hábito dos monges(vestimenta), os livros da biblioteca ( símbolo de conhecimento, de poder), hierarquia da igreja.

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