“Você está com poucas palavras. É como se estivesse muito voltado pra dentro de sua própria alma."
Já escutou uma observação dessas? No mundo da
superficialidade das relações achei essa colocação, vindo de alguém que pouco
me conhece, no mínimo intrigante. Claro, tem sempre alguém a nos observar.
Fato. Tem alguém cuidando como estamos vestidos, qual a marca do relógio, o
tipo do celular, a tinta do cabelo, a maneira como lidamos com diversas
situações. Mas perceber o nosso estado de espírito é novidade. Não estou aqui
me referindo aqueles dias que estamos com uma cara péssima, de quem não dormiu
a noite ou está de ressaca da vida. Não é isso. Me refiro ao quase
imperceptível. Imagina um dia normal e alguém, do nada , repara que você tem
algo diferente. Isso é inesperado, não? Tipo a mulher que corta as pontas dos cabelos e espera o dia inteiro o marido reparar.
Ele não vai notar...pode desistir. Isso
não faz parte do universo de qualidades masculinas, ao menos da maioria. Enfim,
fui supreendido. Apesar de ser muito falante, tenho uma personalidade que
considero um falso extrovertido. Dou muitas risadas, brinco, procuro deixar o
ambiente de trabalho ou qualquer em que esteja o mais agradável possível. Mas
isso não significa que esteja tudo
ótimo. Aliás, na maioria das vezes não está, até porque fui treinado com aquele
viés perfeccionista que sempre tem algo a melhorar, que beira a insatisfação
constante.
Mas enfim, ouvir “ você está focado para as coisas da alma” foi
interessante. Há todo um mundo interior, com vida própria, nem sempre visível a
nível consciente, que tem suas próprias lutas, contradições e perguntas sem
respostas. Por isso as palavras somem, às vezes. Estamos imersos nessa outra
realidade. Mergulhar na nossa alma é parte importante da busca do equilíbrio pessoal
que no final das contas nos fortalece e orienta como devemos enfrentar os
obstáculos do dia a dia.
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